4 exercícios para diferenciar o Pilates Original e o Pilates Clássico.

Para muitos que veem o Pilates original ou até mesmo o clássico e o moderno, acham uma prática sem muito esforço. Aliás muitos pensam que é só colocar no aparelho ou “bola de pilates” como falam. Mal sabem eles, a complexidade de movimentos, a distinção entre os exercícios e os movimentos, a quantidade de variáveis possíveis e a dedicação física e mental que deve ser colocada na prática pra um bom progresso do método.

Pilates Original e o pilates Clássico.

O pilates original criado em 1945 é o método que vemos descrito no livro Return to Life em 1945, pelo próprio Joseph H. Pilates. No Brasil seu nome é “A obra completa de Joseph Pilates“. O método foi criado por ele na Alemanha e continuou com o seu progresso em Nova York e, a partir disso, podemos entender algumas posturas e diferenças que vão ser descritas.

O pilates clássico são os exercícios que os elders, sucessores do criador do método, continuaram a desenvolver para seus alunos, com toda a certeza baseado nos conceitos que foram ensinados para cada um deles. A maioria eram bailarinos que faziam pilates. Por isso existem tantas variações do mesmo exercício.

Diferenças Gerais

No pilates original criado por Joseph Pilates, considerando o Mat 34, não possuem transições entre um exercício e o próximo. Não existe também nível de classificação básico, intermediário e avançado. Quando o mestre passava o exercício para algum aluno, ele mostrava as fotos dos exercícios que aquele aluno precisava e pronto. Ou seguiam sua rotina de 34 exercícios.

Pilates original com Mary Bowen

Por exemplo, para Mary Bowen, ele deixava que ela fizesse o mat 34 saltando alguns exercícios, a cada 2 exercícios ela saltava 2, ate o final dos 34 exercícios e depois ela voltava de 2 em 2 fazendo aqueles que ela não tinha feito, sempre variando a sua rotina. O importante era ela saber que estava trabalhando o corpo com um todo.

Pilates original com Lolita San Miguel

Já Lolita San Miguel fazia a série de exercícios como ele mostrava nas centenas de fotos da parede do seu estúdio. Sem saltar exercícios e durante a respiração Joseph não poderia ouvir o som sair da boca.

Pilates original para Ron Fletcher

Para Ron Fletcher o trabalho respiratório era diferente dos outros, era com respiração percussiva, com resistência na expiração, pois ele tinha problemas respiratórios. E essas são curiosidades e variáveis que só na formação da Alves Pilates você aprende. (colocando Alves Pilates com link)

Outra característica importante era que Joseph trabalhava os movimentos com o máximo de amplitude articular possível, mas de forma mais rígida e enérgica. Talvez, pela sua influência cultural alemã de ginastas do método Turnverein ou pelo período de regime militar que ele passou, tragam essas características.

Pilates clássico

No pilates clássico devemos perguntar clássico de quem porque existem diversos alunos de Joseph Pilates…

De forma normal nos dias de hoje, pilates clássico é tido como se fosse de uma só aluna de Joseph Pilates: Romana Kryzanowska.

No curso de pilates em Fortaleza explico que existe uma transição a ser feita entre um exercício e outro, tornando uma sequencia mais fluida, mais coreografada, dando outro ritmo ao mat 34 ou 37.

E você deve estar se perguntando por que dos 37, já que no clássico foram acrescentados mais 3 exercícios, que não tem no original, assim como as transiçōes e classificações: básicas, intermediário e avançado.

Essas transições podem variar de acordo com a linha estudada, Lolita, que por sinal é uma das duas pessoas certificadas como professora pelo próprio Joseph e a única viva, tem exercícios com transiçōes distintas as de Romana. Em relação à amplitude, o propósito no clássico é ter mais estabilidade articular, onde essa amplitude será desenvolvida de acordo com sua prática em se manter estável.

E isso, deve ter acontecido pela predominância dos seus alunos e Elders serem do ballet, do meio artístico de Nova York, onde era seu estúdio quando foi para os Estados Unidos.

Diferenças Específicas

Hundred

Original:

Hundred

O olhar se mantem em direção à ponta dos pés;

Os braços são acima e paralelos às coxas;

As pernas se mantem próximo ao chão, uma media de 5 cm do chão.

Clássico:

Hundred clássico

Em primeiro lugar, o olhar sempre se mantem em direção à pelve;

Já em segundo lugar os braços ficam ao longo do corpo e paralelo ao chão;

As pernas vão variar de posição de acordo com o nível do aluno (básico, intermediário e avançado), tendo como objetivo final uma diagonal em relação do chão.

Roll Up

*você pode ver no artigo 9 diferenças entre clássico e contemporâneo (deixando o link), as variáveis dentro desse mesmo exercício.

Original:

Roll up pilates original

-os pés se mantem em ponta de pé (flexão plantar) e quando os braços seguem para o teto, a posição dos pés muda para dorsiflexão e mudando novamente na volta do movimento para posição inicial;

-a amplitude da flexão de coluna é a máxima alcançada, indo para baixo e para frente, tocando as mãos no chão;

-e o queixo deve tocar o peito (região esternal).

Clássico:

Roll up pilates clássico

Jack Knife

Original:

Jack knife de pilates original

Na subida da vela, a palma da mão gira pra cima (supinada). Tudo isso a fim de diminuir a ação do tríceps braquial, e recrutar mais de grande dorsal, redondo maior e glúteo, para ir em direção ao teto;

E na descida da vela, a palma da mão vira novamente para o chão (pronada);

As pernas descem bem próximo do chão, antes de repetir o movimento.

Clássico:

Jack knife pilates clássico

A posição das mãos não se altera se mantem sempre com palma das mãos viradas para o chão (pronada). Acionando mais o tríceps braquial.

A posição de pés podem variar de acordo com a linha estudada, Romana mantia “V position” (posição de V), Lolita já se mantia com pés paralelos, assim como Joseph.

E pode haver variações na subida e na descida da vela em relação a posição de pernas. Por exemplo: na subida, pode levar as pernas atrás, paralelas ao chão e depois ir para vela ou pode subir direto; assim como no retorno ao Mat, podemos retornar em uma diagonal alta antes de deitar no Mat, ou sem perder muito a posição de vela, já volta deitando no Mat, tornando mais difícil o movimento.

Side Kick Series

Original:

Side kick pilates original

As mãos entrelaçadas atrás da cabeça, mantendo os cotovelos abertos;

As pernas juntas e a frente na diagonal;

Sempre mantem em ponta de pés (flexão plantar);

Só tem Front and Back (frente e trás);

Não tem insistências.

Clássico:

Side kick pilates clássico

-Uma mão fica atrás da cabeça e a outra apoiada no chão, facilitando a estabilidade de tronco. Podendo evoluir para avançado com as duas mãos atrás da cabeça, igual Joseph. De acordo com a Romana.

-as pernas ficam a frente também, mas é menor quando comparado ao original.

-os pés vão variar com a linha estudada, com Romana os pés eram em ponta (flexão plantar) e “V position”; com Lolita, o pé de baixo fica com dedos tocando o chão e enquanto o calcanhar sai do chão. E o pé de cima, muda de ponta de pé (flexão plantar) para dorsiflexão de acordo com o movimento.

-a serie do clássico é bem mais extensa, no mínimo tem que ser mantido os três primeiros (front/back, up/down e small circle), de acordo com Romana, e continuando com developpé/enveloppé, adductor lift, bycicle/reverso, grand rond de jambé. E o beats que também exerce função de transição de um lado para o outro.

Em conclusão…

Após alguns estudos e relatos, se conclui que tantas variáveis existem porque cada aluno teve o que precisava do método, cada corpo foi visto de uma forma única por Joseph e Clara.

E assim que tem que ser, já que cada corpo é diferente, traz uma história de vida diferente, resultando em alterações diferentes.

Sendo assim, a importância do método é saber entender essas variáveis como ferramentas de conhecimento e sabedoria para aplicá-las da melhor forma possível, facilitando para o praticante o desenvolvimento dessa jornada de autoconhecimento.

Geórgia Carvalho, professora de pilates.

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